segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ícones americanos: Mustang

 

    A Ford, no início da década de 60, aproveitando que os consumidores buscavam carros menores, mais simples e baratos, mas confiáveis e com certo grau de esportividade, e vendo que a General Motors estava fazendo sucesso com o Corvette, o único esportivo americano até então, começou a desenvolver um carro barato, pequeno, esportivo e jovial, que resultou no conceito Mustang, de 1962 (foto acima). O nome Mustang foi escolhido por John Najjar, que participou do projeto, homenageando um caça que ele havia pilotado na 2ª Guerra Mundial. Esse conceito estava equipado com um motor 2.0 V4 de 90 cv, traseiro, com um câmbio manual de 4 marchas.


    Houve ainda um 2° conceito, que se aproximava mais do modelo de produção que viria no ano seguinte. Nesse conceito, o motor era um 4.75 V8 de 271 cv.


    Quando foi lançado, em 17 de abril de 1964, houve grande repercussão no país. O desenho lembrava muito o do 2° conceito, mas estava mais harmônico, com o tradicional cavalo na grade frontal, faróis redondos, lanterna tripla na vertical, capô grande, traseira curta e teto baixo. Estava disponível nas carrocerias cupê e conversível.


    Assim como a plataforma, os motores vinham do sedã compacto Falcon: 2.8 de 6 cilindros em linha, de 101 cv de potênica bruta (essa potência é a gerada somente pelo motor sozinho. Com outros componentes, a potência que chega às rodas é bem menor. A partir daqui, até o Mustang de 1971, todos os dados de potência serão dados em potência bruta), um 3.3, também de 6 cilindros, de 116 cv,  um 4.3 V8 de 164 cv, ou ainda um 4.7 V8 com três variações: carburação dupla, de 210 cv; carburação de corpo quádruplo, de 220 cv; e outro com um kit de alta taxa de compressão, chamado de K-Code, de 271 cv.


    Todas essas versões, menos a 4.7, vinham com um câmbio manual de 3 marchas. Já a 4.7 vinha com uma manual de 4 marchas, opcional às outras versões. Um automático de 3 marchas também estava disponível para todas as versões. Graças ao seu tamanho compacto para a época (4,5 m de comprimento, e 2,74 m de entre-eixos) e à potência de seus motores, o Mustang "criou" os pony-cars, carro-pônei, cavalo pequeno, mas robusto.


    E o pônei vendia bem. Só no primeiro dia, 22 mil unidades foram comercializadas. No primeiro ano, 126 mil exemplares, sendo 98 mil cupês e 28 mil conversíveis. A maior parte das vendas era da versão V8, mais atraente do que os de seis cilindros.


    No final de 1964, a Ford lançou uma versão mais esportiva do Mustang, com carroceria fastback (foto acima).


    Mas, nas pistas, o Mustang ainda não se destacava, quem reinava era o Corvette. Então a Ford convocou o preparador Carroll Shelby para deixar o Mustang mais bravo. Ele fez algumas modificações na carroceria e na mecânica do Mustang fastback (foto acima).


    As vendas continuavam boas. Em 1965, vendeu 559 mil exemplares, sendo 77 mil fastbacks. O Charger, lançado no mesmo ano, havia vendido 38 mil exemplares.A cada novo lançamento, o Mustang vendia ainda mais. Em 1966, vendeu 607 mil unidades, sendo 499 mil cupês, 35 mil fastbacks e 72 mil conversíveis. A Ford já havia vendido 1,3 milhão de Mustangs, e ela faturou 10 vezes mais do que investiu no projeto. A concorrência aumentava, com Camaro, Charger e Barracuda, e então a Ford, em 1967, fez a primeira alteração no Mustang.


    Houveram pequenas mudanças estéticas, e algumas coisas na motorização também. O motor 2.8 saía de linha, e o 3.3 teve a potência bruta aumentada para 120 cv. Agora havia outro motor de 6 cilindros, um 4.1, de 155 cv. O 4.7, com as suas 3 variações, continuava, e mais um motor estava disponível: um V8 big block, de 390 pol³ (6.4 l), que produzia 315 cv. Houveram mais alterações, como na suspensão, e estavam disponíveis mais itens, como rádio e ar-condicionado. No mesmo ano, chegava mais um concorrente: Pontiac Firebird.


    Mas a Ford queria mais, e convocou novamente Shelby para apimentar seu pônei, no mesmo ano de 1967. O motor big block, de 428 pol³ (7.0 l), do Cobra, foi amansado de 425 para 335 cv e foi transplantado para o Mustang Shelby GT 500. Essa foi uma série limitada, assim como muitas outras que viriam por toa a sua vida.



    Essa edição fez tanto sucesso que ela acabou disponibilizando o mesmo motor do Shelby 500 nas versões de série, mas, devido ao seu custo, foi retirado anos depois. Mais uma novidade na motorização foi a substituição do 2.8 por um small block, de 302 pol³ (4.95 l), de 220 (carburador duplo) a 230 cv (carburador de corpo quádruplo), mesmo motor usado nos brasileiros Maverick e Galaxie.


    Novamente, por causa da concorrência (2ª geração do Charger e apresentação do Corvette StingRay), em 1969 houve mais uma reestilização. Dentre outras mudanças, todas as versões agora possuíam quatro faróis e o cavalo da grade fora deslocado para a esquerda. Os motores 3.3, 4.1, e os V8 4.7 e 4.95 foram mantidos, mas um 5.8 V8 de 250 cv com carburação dupla e 290 cv com carburação de corpo quádruplo estava disponível a partir de então. Ainda haviam as versões Cobra Jet e Super Cobra Jet, equipadas com, respectivamente, um 6.4 de 335 cv e um 7.0 de 360 cv, o Mustang mais potente até então.


    Houve uma versão que fez sucesso naquele ano de 1969: a Mach 1, disponível apenas na carroceria fastback, era vendida apenas com os motores 5.8, 6.4 e 7.0, e tinha um apelo esportivo. Naquele ano, 72 de 299 mil Mustangs eram dessa edição.


    Apesar das várias versões, a Ford precisava de um Mustang para disputar com o Camaro Z28 a SCCA (Sports Car Club of America). Então, a marca convocou Larry Shinoda para a missão, que resultou no Mustang Boss. Ele era muito mais nervoso que o Mach 1, tanto esteticamente (como podemos ver pela foto) quanto pela motorização: o 4.95 V8 small block com 290 cv (Mustang Boss 302) e o 7.0 V8 big block de 375 cv. Nas versões de corrida da Nascar, esse motor chegava a 500 cv.


    Em 1970, o pônei da Ford sofreu algumas alterações estéticas, dentre elas a perda de dois de seus faróis, e as versões Mach 1 e Boss 302 eram as topo de linha, e chegavam a custar o triplo da versão básica, ou seja, cerca de 9 mil dólares. Essas mudanças vieram em boa hora, pois chegava mais um concorrente no mercado: Dodge Challenger. Apesar disso, as vendas caíram nesse mesmo ano para 190 mil unidades vendidas.


    Baseado no conceito Milano, de 1970, em 1971 a Ford reestilizou o Mustang, mas não conseguiu um bom resultado. Crescera demais, e não agradava mais seus admiradores. Apesar disso, ainda haviam vários motores disponíveis: 4.7 de 145 cv; os dois V8 small block de 4.95 l e 210 cv e 5.8 de 240 ou 285 cv, dependendo da versão; o 7.0 de 370 e 375 cv, dependendo da versão do Cobra Jet; e as versões Boss 302 e 429 davam lugar à Boss 351.


    Apesar disso, as vendas continuavam minguando, para 149 mil unidades em 1971 e 111 mil unidades em 1972. Com a redução da taxa de compressão, graças à proibição do uso de um tipo de chumbo na gasolina, o que alterou o desempenho dos carros. Para piorar, em 1972, a medição da potência dos carros eram em cavalos líquidos. Havia uma perda de cerca de 35 % (por exemplo, o 4.7 teve sua potência diminuída de 145 cv para 98 cv). E só piorava: houve a crise do petróleo em 1973, e as seguradoras cobravam cada vez mais pelo seguro desses carros potentes. Foi o fim da fase áurea dos muscle cars.


    Com essa crise, a Dodge parou de produzir Challenger e Charger. Mas a Ford não desistiu: em 1974, houve mais uma reformulação no Mustang, mas abandonava a esportividade e realçava suas novas características: conforto, sofisticação e economia. Batizado de Mustang II, ele encolheu em relação ao anterior, e seus motores desanimavam: 2.3 de 88 cv e 2.8 V6 de 105 cv. Os anúncios, agora, falavam sobre testes de consumo realizados com o Ford, mas funcionaram: 385 mil unidades vendidas naquele ano.


    Em 1975, aproveitando o mercado que o próprio Mustang abrira, a Ford lança uma versão luxuosa do Mustang, batizada de Siver Ghia, que ganhava, dentre outros itens, teto de vinil. Essa versão trazia de volta o motor da antiga versão Boss 302, ó que gerava apenas 122 cv, graças à adoção de um catalisador para reduzir as emissões. Mas essa versão não salvou as vendas do Mustang, que caíram 50 % nesse mesmo ano.


    Então, para salvar as vendas e relembrar a época de ouro do Mustang, a Ford lançou duas versões esportivas: a Cobra II e a Stallion. A Stallion era apenas alterações estéticas na carroceria fastback, enquanto a Cobra II possuía alterações mais pesadas, como a adoção de spoilers, entrada de ar no capô e um cobra no lugar do tradicional cavalo na grade dianteira.


    Em 1977, a Ford voltava a realçar a esportividade dos fastbacks, criando uma versão targa (teto parcialmente removível), e havia uma versão mais esportiva: a King Cobra (foto).


    Em 1979, a Ford comemorava os 15 anos de sucesso (apesar dos últimos anos de baixas vendas) do Mustang. Nesse ano, surgiu um novo Mustang, mas ele não fora chamado de Mustang III, apenas Mustang. Possuía um visual mais agradável, e pela primeira vez o tradicional cavalo saiu da grade e foi para o capô.


    Essa geração estava maior em relação à anterior, e continuava com a mesma opção de câmbio (manual de 4 ou automático de 3) e de motorização também (2.3 de 88 cv, 2.8 V6 de 109 cv e 302 V8 de 140 cv), mas trazia de volta o velho 3.3 de 6 cilindros, mas agora com 94 cv.


    Então, a Ford investiu pesado e surgiram algumas versões: a Ghia, para a carroceria cupê, a Cobra, para a fastback, e uma edição que era uma réplica dos Mustang pace-car, aqueles carros para auxílio em corridas. O que ajudou nas vendas: 369 mil unidades comercializadas.


    Em 1982, a Ford lançava o Mustang GT, com 157 cv, gerados pelo 302 V8, e uma edição especial da GT, a SSP, feita especialmente para a polícia. Em 1984, a versão conversível estava de volta, após 10 anos fora de linha, e a Ford lançava uma edição chamada SVO, que, ou invés de um V8, possuía um 2.3, de 4 cilindros, mas com turbocompressor, que gerava 175 cv, e câmbio manual de 5 marchas.


    Antes da SVO (Special Vehicles Operation) sair de linha, em 1986, teve uma versão com 205 cv, fazia de 0 a 96 km/h (ou 60 mph) em 7,3 s, mas custava 4 vezes mais do que o Mustang básico, o que levou ao fim de sua produção.


    Com o fim da SVO, a Ford voltava a usar os motores V8 para as suas versões topo de linha. Nesse mesmo ano, o Mustang recebia mais uma leve alteração visual.


    Em 1993, como se pode perceber pela foto, o Mustang já estava com o visual "cansado", e precisava de uma nova geração, que foi baseada no conceito Mach III.


    Então, no final desse mesmo ano de 1993, fora apresentada uma nova geração do Mustang. Dentre as mudanças, o cavalo voltava à grade, e o carro recebia rodas aro 17", voltando a ser o esportivo de antigamente. A plataforma permanecia a mesma desde 1979. Mesmo com essa reformulação, os puristas ainda não gostavam muito do carro, diziam que ele estava japonês demais.


    As opções de motores eram duas: 3.8 V6 de 145 cv e o 4.95 (o 302) V8 de 215 cv na versão GT.


    Pouco tempo depois, era lançado o Mustang SVT Cobra, que fora o pace-car das 500 milhas de Indianópolis. Era uma versão mais esportiva, com o mesmo 302 V8, mas que, com algumas melhorias, geravam 240 cv, e fazia de 0 a 96 km/h em 6,3 s. Foram vendidas 6 mil unidades, sendo mil conversíveis, apesar do preço elevado. Em 1996, a versão GT ganhava um novo motor 4.6 V8 de 260 cv.


    Em 1999, a Ford reestilizou novamente o Mustang, deixando-o cada vez mais parecido com o primeiro Mustang. Com lanternas triplas na vertical, cavalo da grade dianteira com moldura e faróis retangulares, a Ford queria relembrar os primórdios do pônei. Até as propagandas da época ressuscitavam a novidade. Pela primeira vez na história do Mustang, ele ganhava controle de tração.


    Os motores disponíveis eram: 3.8 V6 de 190 cv e um 4.6 V8 de 260 cv. Esse último, na versão Cobra, desenvolvia 320 cv, e ia de 0 a 96 km/h em 5,6 s.


    Em 2000, ganhava um edição especial: o Cobra R, uma versão preparada para as pistas homologada para andar nas ruas. Seu motor, um 5.4 V8, gerava 385 cv e 53,2 kgfm, juntamente com um câmbio manual de 6 marchas, leva o Ford de 0 a 96 km/h em 4,6 s, e chegava a 280 km/h. Possuía vários componentes de fornecedores renomados, como Brembo, Eilbach e Bilstein.


    Para a sorte do Mustang, dois de seus antigos rivais saíam de linha: Camaro e Firebird, pois acreditavam que a época dos pony-cars já havia passado, mas a Ford persistiu no seu pônei. Um ano depois, volta a versão Mach 1, com 6500 unidades produzidas. Além de alterações visuais, como o aerofólio preto e rodas aro 17", a versão recebeu 4.6 V8 de 300 cv. Ainda houve uma outra versão, a SVT Cobra, com o mesmo motor da versão Cobra, mas agora com 390 cv e 54 kgfm, e um câmbio manual de 6 marchas.


    Em 2003, a um ano de comemorar 40 anos de Mustang, a Ford apresentou, no Salão de Detroit, dois conceitos, um cupê e um conversível (foto), destaques do Salão. Foram desenhados pelo estúdio Living Legends, e suas tinham lembravam as da primeira geração, indicando que a próxima geração seria uma releitura do primeiro Mustang.


    Em janeiro de 2004, no Salão de Detroit, era apresentada a versão final do novo Mustang. Muitos elementos vindos do passado do modelo, como os faróis circulares, grade frontal, lanterna tripla na vertical, volante de três raios e falso bocal de abastecimento do meio do porta-malas, dentre outros elementos.


    A Ford disponibilizou duas motorizações para o carro: 4.0 V6 de 204 cv e 4.6 V8 de 304 cv, na versão GT. Para as corridas, a Ford anunciou, no Salão de Nova York do mesmo ano o Mustang GT-R, um conceito preparado para as pistas inspirado no antigo Boss.


    Em quatro décadas de história, o Mustang já enfrentou diversas crises, mas sempre deu a volta por cima e sobrevive até hoje, com seus diversos fãs espalhados pelo mundo.


    Agora vamos falar um pouco mais sobre o modelo atual, a mesma geração lançada em 2004, com uma leve reesilização desde então. Atualmente, ele tem dois tipos de carroceria: cupê e conversível. Ambas possuem 5 versões: V6, V6 Premium, GT, GT Premium e Shelby GT500.


    As versões V6 e V6 Premium são equipadas, como o próprio nome diz, com um propulsor 4.0 V6 de 213 cv, suficientes para fazer de 0 a 100 km/h, de acordo com a Car and Driver americana, em 5.4 s, com câmbio manual. Já as versões GT e GT Premium possuem um 4.6 V8 de 315 cv, que levam o pônei aos 100 km/h, partindo da inércia, em 4,6 s, de acordo com a C/D americana. Já a Shelby GT500 é equipada com um 5.4 V8, com turbocompressor e intercooler, que gera 540 cv de potência, e faz de 0 a 100 em 4,1 s, também de acordo com a C/D americana. Todos os números são das versões cupê. As versões conversíveis, quando com o teto aberto, ficam piores em termos aerodinâmicos e tendem a fazer de 0 a 100 em pouco tempo a mais, e também tendem a consumir mais. Todas os modelos estão disponíveis com câmbio de 6 marchas, manual ou automático, a não ser pelo Shelby, disponível apenas com câmbio manual. Para mais informações, acesse o site da Ford.


    Bem, é isso. Me perdoem, fãs de Mustang, se me esqueci de algo ou se errei alguma coisa. Foi muito bom e interessante escrever esse texto, pois não sabia nem 1% da história desse magnífico carro. O próximo será um dos rivais do Mustang: o Chevroet Camaro.
    Até a próxima!


Fontes: Net Car Show, Car and Driver, Ford, Auto Esporte, Quatro Rodas e Best Cars Web Site: Carros do Passado.

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